Graus da hemorroida: entenda os graus 1, 2, 3 e 4
DR. GILBERTO SAUTE
CrM-RS 7346
RQE 7088
As hemorroidas internas podem ser classificadas em quatro graus, de acordo principalmente com a presença e o comportamento do prolapso, ou seja, quando o tecido hemorroidário se desloca em direção à parte externa do ânus.
Nos graus iniciais, a hemorroida permanece dentro do canal anal ou pode sair durante a evacuação e retornar espontaneamente. Nos graus mais avançados, pode ser necessário empurrá-la novamente para dentro ou o tecido pode permanecer exteriorizado.
Entender essa classificação ajuda a avaliar a evolução da doença e também é uma das informações consideradas na escolha do tratamento.
Importante: essa classificação em graus é utilizada para as hemorroidas internas. Hemorroidas externas não são classificadas da mesma maneira.
As hemorroidas internas são tradicionalmente divididas em grau I, grau II, grau III e grau IV.
De maneira simplificada, a principal diferença entre os graus é o comportamento da hemorroida em relação ao prolapso.
A intensidade e o tipo de manifestação também podem variar; veja os principais sintomas de hemorroida e como identificá-los.
Para visualizar melhor essas diferenças, veja também imagens dos diferentes tipos e graus de hemorroidas.
A hemorroida grau 1 corresponde ao estágio inicial da classificação das hemorroidas internas.
Nesse grau, o tecido hemorroidário permanece dentro do canal anal e não prolapsa para fora do ânus durante a evacuação.
Um dos sintomas mais característicos pode ser o sangramento vermelho vivo, percebido no papel higiênico, sobre as fezes ou até mesmo em gotas no vaso sanitário.
O sangramento pode ocorrer em diferentes graus da doença. Entenda também por que a hemorroida pode sangrar e quando esse sintoma precisa ser investigado.
A dor não costuma ser o sintoma predominante das hemorroidas internas em estágios iniciais.
A pessoa pode apresentar:
É importante lembrar que sangramento anal não deve ser automaticamente atribuído às hemorroidas. Outras doenças também podem causar sangramento e, dependendo do caso, precisam ser investigadas.
O tratamento depende dos sintomas e da avaliação de cada paciente.
Medidas relacionadas ao funcionamento intestinal, como aumentar adequadamente a ingestão de fibras e líquidos e evitar esforço excessivo durante a evacuação, costumam fazer parte da abordagem inicial.
Quando os sintomas persistem, podem ser considerados procedimentos realizados em consultório.
Entre as possibilidades está a fotocoagulação infravermelha, técnica que utiliza energia infravermelha sobre o tecido hemorroidário. Outros procedimentos podem ser indicados conforme as características de cada caso.
Na hemorroida grau 2, o tecido hemorroidário pode prolapsar, ou seja, sair pelo ânus durante a evacuação ou após determinados esforços.
A principal característica desse grau é que, depois do esforço, a hemorroida retorna espontaneamente para dentro do canal anal, sem que a pessoa precise empurrá-la.
É comum o paciente descrever a sensação de que existe um inchaço ou volume que aparece ao evacuar e desaparece pouco tempo depois.
Podem ocorrer:
Nem todos os pacientes apresentam todos esses sintomas.
O tratamento é individualizado e depende principalmente dos sintomas apresentados.
Além das medidas para melhorar o hábito intestinal e reduzir o esforço evacuatório, alguns pacientes podem ter indicação de procedimentos ambulatoriais.
Entre as opções que podem ser consideradas estão:
A ligadura elástica é uma técnica utilizada principalmente em determinadas hemorroidas internas. Um pequeno anel elástico é aplicado ao tecido hemorroidário para interromper sua irrigação. Veja como funciona a ligadura elástica para hemorroidas, suas indicações e limitações.
A escolha depende das características das hemorroidas, dos sintomas e da avaliação médica.
Na hemorroida grau 3, o prolapso é mais avançado.
Durante a evacuação ou após determinados esforços, a hemorroida pode sair pelo ânus e não retornar imediatamente e de maneira espontânea.
Uma situação bastante característica é o paciente precisar realizar uma redução manual, ou seja, empurrar delicadamente o tecido prolapsado de volta para dentro do canal anal.
Entre as manifestações possíveis estão:
O prolapso mais frequente pode tornar os sintomas mais incômodos e interferir na rotina do paciente.
Não necessariamente.
O grau da hemorroida é uma informação importante, mas não é o único fator utilizado para decidir o tratamento.
Dependendo das características do caso, dos sintomas, da extensão do prolapso e da resposta aos tratamentos anteriores, podem existir diferentes alternativas terapêuticas. Em alguns casos, especialmente nos graus mais avançados, pode haver indicação de cirurgia de hemorroidas.
Por isso, duas pessoas com hemorroidas classificadas no mesmo grau não necessariamente receberão exatamente o mesmo tratamento.
A hemorroida grau 4 representa o estágio mais avançado dessa classificação.
Nesse caso, existe um prolapso persistente: o tecido hemorroidário permanece exteriorizado e não retorna espontaneamente nem pode ser mantido reduzido manualmente de maneira habitual.
Apesar de ser o grau mais avançado, isso não significa que todas as pessoas terão exatamente os mesmos sintomas ou a mesma intensidade de desconforto.
Podem estar presentes:
Nessa situação, é especialmente importante realizar avaliação médica para confirmar que se trata realmente de doença hemorroidária e definir a abordagem adequada.
O tratamento deve ser definido individualmente.
Nos casos mais avançados e sintomáticos, procedimentos cirúrgicos podem ser considerados, levando em conta a presença de componentes internos e externos, intensidade dos sintomas e características de cada paciente. Saiba mais sobre a cirurgia de hemorroidas.
A hemorroidectomia é uma das possibilidades existentes. Outras técnicas podem ser avaliadas pelo especialista conforme o caso.
O grau da doença é um dos fatores considerados na escolha do tratamento. Para quem tem receio do procedimento, o Dr. Gilberto Saute explica quanto pode doer o tratamento de hemorroidas e como a recuperação varia conforme a técnica utilizada.
A maneira mais simples de entender a diferença é observar o que acontece com a hemorroida interna durante e depois da evacuação.
Grau 1: permanece dentro do canal anal.
Grau 2: sai durante a evacuação, mas volta sozinha.
Grau 3: sai e precisa ser empurrada novamente para dentro.
Grau 4: permanece exteriorizada e não pode ser reduzida de forma habitual.
Portanto, a graduação está relacionada principalmente à evolução do prolapso hemorroidário.
Algumas características relatadas pelo paciente ajudam o médico a entender o comportamento da doença, principalmente se existe tecido saindo pelo ânus durante a evacuação e se ele retorna espontaneamente ou precisa ser empurrado para dentro.
Entretanto, não é recomendável tentar determinar sozinho o grau da hemorroida apenas observando a região anal.
Um caroço, inchaço ou tecido exteriorizado pode ter outras causas.
O diagnóstico é realizado por meio da história clínica e do exame da região. Quando necessário, o proctologista pode realizar uma anuscopia, exame que permite visualizar o canal anal e avaliar as hemorroidas internas.
Não.
A classificação em graus I, II, III e IV é utilizada para descrever hemorroidas internas, especialmente de acordo com a presença e o comportamento do prolapso.
As hemorroidas externas ficam na região externa do ânus e são avaliadas por outras características, como presença de inchaço, excesso de tecido, inflamação ou trombose.
Quando ocorre a formação de um coágulo de sangue em uma hemorroida externa, pode surgir uma hemorroida trombosada, geralmente caracterizada pelo aparecimento relativamente súbito de um caroço doloroso próximo ao ânus.
Por isso, expressões como “hemorroida externa grau 3” ou “hemorroida externa grau 4” não correspondem à maneira habitual de utilizar essa classificação.
Para conhecer também os tipos, sintomas, causas e outras formas de tratamento, veja nosso guia completo sobre hemorroidas.
O grau ajuda na escolha do tratamento, mas não deve ser analisado isoladamente.
O médico também considera fatores como:
Por isso, uma hemorroida de grau mais elevado não significa automaticamente que determinado procedimento seja obrigatório.
As diretrizes da American Society of Colon and Rectal Surgeons também fazem essa diferenciação: procedimentos ambulatoriais podem ser utilizados em muitos pacientes sintomáticos com graus I e II e em pacientes selecionados com grau III, enquanto a hemorroidectomia pode ser oferecida a pacientes selecionados com doença externa ou doença interna e externa combinada sintomática nos graus III–IV.
Para conhecer as diferentes alternativas disponíveis e entender como a escolha é feita, veja nosso guia sobre tratamentos para hemorroidas.
A doença hemorroidária pode evoluir ao longo do tempo em alguns pacientes, com aumento do prolapso e mudança na forma como o tecido se comporta durante a evacuação.
Isso, entretanto, não significa que toda hemorroida grau 1 obrigatoriamente evoluirá até o grau 4.
A evolução varia de pessoa para pessoa.
Medidas para melhorar o funcionamento intestinal, evitar esforço evacuatório excessivo e tratar sintomas quando necessário fazem parte dos cuidados com a doença hemorroidária.
Não existe um único grau que determine, sozinho, a necessidade de cirurgia.
Em geral, os graus iniciais podem frequentemente ser tratados com medidas clínicas ou procedimentos ambulatoriais, enquanto casos com prolapso mais avançado podem exigir outras abordagens.
Entretanto, a indicação depende dos sintomas e das características individuais.
Por isso, afirmar que “grau 3 sempre precisa operar” ou que “grau 4 só pode ser tratado de uma maneira” seria uma simplificação inadequada.
A avaliação médica é necessária para definir qual alternativa oferece a melhor relação entre benefícios e riscos em cada situação.
É recomendável procurar avaliação médica quando existe sangramento anal recorrente, prolapso, dor importante, dificuldade de higiene ou sintomas persistentes.
Também é importante procurar avaliação quando existe dúvida se aquilo que está aparecendo na região anal realmente corresponde a uma hemorroida.
Nem todo sangramento anal é causado por hemorroidas.
Fissuras, pólipos, doenças inflamatórias e outras condições do intestino e da região anorretal também podem causar sintomas semelhantes.
Em pacientes selecionados com sangramento retal, inclusive, pode ser necessária investigação do cólon em vez de simplesmente atribuir o sangramento às hemorroidas. Essa cautela também aparece nas diretrizes clínicas da ASCRS.
Conteúdo escrito/revisado por Dr. Gilberto Saute
Médico especialista em Coloproctologia
CRM-RS 7346 | RQE 7088
Última revisão médica: setembro de 2026
Este conteúdo possui finalidade educativa e não substitui consulta, exame físico ou diagnóstico médico individualizado.
As informações desta página foram elaboradas e revisadas com base em literatura médica e recomendações de instituições reconhecidas na área de Coloproctologia:
Sangramento anal nem sempre é hemorroida
Mesmo quando uma pessoa já sabe que possui hemorroidas, um novo episódio de sangramento não deve ser automaticamente atribuído à doença.
Outras condições podem provocar sintomas semelhantes. Sangramento recorrente, mudança do hábito intestinal ou outros sintomas associados devem ser avaliados adequadamente.
O grau IV é o mais avançado dentro da classificação das hemorroidas internas, pois apresenta prolapso persistente. Entretanto, intensidade dos sintomas e tratamento necessário precisam ser avaliados individualmente.
Sim. Essa é justamente uma das características do grau II: ocorre prolapso durante a evacuação ou esforço, seguido de retorno espontâneo.
Pode voltar mediante redução manual. É característica do grau III o prolapso que necessita ser empurrado novamente para dentro.
No grau IV, o tecido permanece prolapsado e não pode ser mantido reduzido manualmente de maneira habitual.
Pode sangrar. O sangramento vermelho vivo durante ou após a evacuação é uma manifestação frequente das hemorroidas internas e pode ocorrer mesmo sem prolapso.
Não obrigatoriamente. A indicação depende dos sintomas, características das hemorroidas, tratamentos anteriores e avaliação individual.
A intensidade dos sintomas varia. O grau descreve principalmente o comportamento do prolapso e não funciona como uma escala de intensidade da dor.
Postagens e artigos sobre proctologia, saúde intestinal, hemorroidas, prevenção do câncer colorretal, colonoscopia e doenças do intestino e da região anal.
Conteúdo produzido pelo Dr. Gilberto Saute, médico especialista em Coloproctologia, com informações claras e confiáveis para ajudar você a entender sintomas, conhecer formas de prevenção e saber quando procurar avaliação médica.