Ligadura elástica para hemorroidas: como funciona?
DR. GILBERTO SAUTE
CrM-RS 7346
RQE 7088
A ligadura elástica é um dos procedimentos que podem ser utilizados no tratamento de determinadas hemorroidas internas. A técnica consiste na colocação de um pequeno anel elástico na base do tecido hemorroidário, reduzindo sua irrigação sanguínea até que esse tecido sofra necrose e se desprenda.
É um procedimento conhecido há muitos anos e pode ser uma alternativa em casos selecionados, principalmente quando existem sintomas relacionados às hemorroidas internas, como sangramento ou prolapso.
Na minha prática, entretanto, a ligadura elástica não é o procedimento que utilizo como padrão nem é, de modo geral, minha técnica preferida para o tratamento das hemorroidas. Existem diferentes formas de tratar a doença hemorroidária, e procuro escolher a alternativa mais adequada de acordo com o tipo de hemorroida, seu grau, os sintomas e as características de cada paciente.
A ligadura elástica não substitui a cirurgia em todas as situações. Entenda quando o tratamento cirurgíco pode ser indicado.
Dr. Gilberto Saute
Médico especialista em Coloproctologia
CRM-RS 7346 | RQE 7088
A ligadura elástica é um procedimento destinado ao tratamento de hemorroidas internas.
Durante o procedimento, um pequeno anel de borracha é colocado na base do mamilo hemorroidário. Esse anel comprime o tecido e interrompe progressivamente sua circulação sanguínea.
Com o passar dos dias, o tecido ligado tende a sofrer necrose e se desprender. Posteriormente ocorre cicatrização na região.
A técnica não deve ser confundida com a retirada cirúrgica convencional das hemorroidas, conhecida como hemorroidectomia.
Também é importante entender que a ligadura elástica é apenas uma entre várias possibilidades de tratamento. Fotocoagulação infravermelha, escleroterapia e diferentes técnicas cirúrgicas ou minimamente invasivas podem ser consideradas conforme o caso.
Conheça também as principais opções de tratamento para hemorroidas e em quais situações elas podem ser consideradas.
A ligadura elástica é utilizada principalmente para hemorroidas internas sintomáticas.
Para entender essa indicação, é importante saber que as hemorroidas internas podem ser classificadas em quatro graus, de acordo principalmente com a presença e a intensidade do prolapso.
Em termos gerais, procedimentos ambulatoriais como a ligadura podem ser considerados especialmente em alguns pacientes com hemorroidas internas de graus iniciais ou intermediários.
Isso, porém, não significa que toda hemorroida grau I, II ou III deva ser tratada com ligadura.
A escolha depende de fatores como:
Para entender melhor essa classificação, veja também Graus da hemorroida: grau 1, 2, 3 e 4.
As hemorroidas internas de grau I permanecem dentro do canal anal e podem se manifestar principalmente através de sangramento.
Nem todo paciente com hemorroida grau I precisa de um procedimento. Inicialmente, é importante avaliar os sintomas, os hábitos intestinais e confirmar que o sangramento realmente tem origem hemorroidária.
Quando existe indicação de procedimento, há mais de uma alternativa.
Na minha prática, particularmente nas hemorroidas internas mais iniciais, frequentemente considero outras opções antes da ligadura elástica.
A escolha deve ser individualizada.
Nas hemorroidas de grau II, o tecido hemorroidário pode exteriorizar-se durante a evacuação ou esforço e retornar espontaneamente para dentro do canal anal.
Nesses pacientes, o tratamento pode variar bastante.
Dependendo das características do caso, podem ser considerados tratamento clínico, fotocoagulação infravermelha, escleroterapia, ligadura elástica ou outros procedimentos.
Portanto, receber o diagnóstico de “hemorroida grau II” não significa automaticamente ter indicação de ligadura elástica.
Nas hemorroidas de grau III, o prolapso é mais importante. O tecido sai pelo ânus durante a evacuação ou esforço e geralmente precisa ser reposicionado manualmente.
Em alguns casos selecionados, a ligadura pode ser considerada. Em outros, porém, a extensão da doença e as características do prolapso podem fazer com que outras formas de tratamento sejam mais apropriadas.
Quanto mais complexa a doença hemorroidária, mais importante se torna avaliar o paciente individualmente antes de escolher uma técnica.
Não é o tratamento habitual para hemorroidas externas.
A ligadura é direcionada ao componente interno da doença hemorroidária.
Isso é particularmente importante porque muitas pessoas usam a palavra “hemorroida” para alterações bastante diferentes.
Uma pessoa pode apresentar:
Por isso, antes de pensar no procedimento, é necessário saber o que efetivamente está sendo tratado.
Veja também: Hemorroida interna: sintomas, graus e tratamento.
O médico utiliza um instrumento para visualizar o interior do canal anal e identificar o tecido hemorroidário que será tratado.
Com um dispositivo próprio, um pequeno anel elástico é colocado na base do mamilo hemorroidário.
O posicionamento correto é importante porque a região mais interna apresenta sensibilidade diferente da pele ao redor do ânus. Uma ligadura posicionada inadequadamente pode provocar dor importante.
Depois da aplicação, o elástico permanece comprimindo o tecido.
Nos dias seguintes, ocorre redução do suprimento sanguíneo, necrose e desprendimento do tecido ligado.
Essa é uma das dúvidas mais frequentes.
A experiência varia de paciente para paciente. Algumas pessoas apresentam apenas pressão, sensação de peso ou desconforto. Outras podem sentir dor mais significativa.
Portanto, eu evitaria afirmar que a ligadura elástica é um procedimento “indolor”.
A intensidade dos sintomas pode depender, entre outros fatores, da posição em que o elástico foi colocado, da quantidade de tecido envolvida e da sensibilidade individual.
Dor intensa ou progressiva depois de uma ligadura merece avaliação médica.
Como a ligadura deve ser realizada em uma região do canal anal com menor sensibilidade à dor, frequentemente pode ser realizada sem anestesia local no ponto da aplicação.
Isso não significa, entretanto, que todos os pacientes terão exatamente a mesma experiência ou que o procedimento nunca cause desconforto.
A forma de realização deve ser definida pelo médico responsável.
Não existe um número único que sirva para todos.
Alguns pacientes podem precisar do tratamento de mais de um mamilo hemorroidário e eventualmente de sessões adicionais.
A necessidade de repetir o procedimento depende da extensão da doença, da resposta obtida e da estratégia utilizada pelo médico.
Esse é também um dos motivos pelos quais não considero adequado apresentar a ligadura como uma solução única ou automaticamente indicada para qualquer hemorroida interna.
Depois que o anel é colocado, a circulação daquela pequena porção de tecido é interrompida.
O tecido ligado sofre necrose e posteriormente se desprende.
O paciente muitas vezes nem percebe exatamente o momento em que isso acontece.
No local ocorre um processo de cicatrização que contribui para reduzir o tecido hemorroidário e seus sintomas.
O anel e o tecido tratado normalmente se desprendem espontaneamente após alguns dias.
O tempo exato pode variar.
Pode ocorrer um pequeno sangramento no período em que o tecido se desprende, mas é importante distinguir um sangramento pequeno e autolimitado de uma hemorragia mais importante.
Sangramento em grande quantidade, persistente ou acompanhado de outros sintomas deve ser avaliado.
A recuperação depende da resposta individual e de como o procedimento foi realizado.
Alguns pacientes retornam rapidamente às atividades habituais, enquanto outros apresentam desconforto e preferem reduzir determinadas atividades durante um período.
Mais uma vez, eu evitaria promessas como “não precisa de repouso” ou “volta imediatamente à vida normal” para todos os pacientes.
A orientação deve ser individual.
Sim. O intestino continuará funcionando.
É particularmente importante evitar constipação e esforço excessivo para evacuar.
Medidas que favoreçam fezes de consistência adequada podem fazer parte das orientações, incluindo alimentação com fibras, ingestão adequada de líquidos e outros cuidados conforme recomendação médica.
Dependendo do paciente, podem ocorrer:
Esses sintomas precisam ser interpretados dentro do contexto de cada paciente.
Sintomas intensos, persistentes ou diferentes do esperado justificam contato com o médico responsável.
Embora seja um procedimento amplamente utilizado, ligadura elástica não significa ausência de riscos.
Entre os eventos que podem ocorrer estão dor, sangramento, trombose de componente hemorroidário externo, retenção urinária e, raramente, complicações infecciosas importantes.
O médico também precisa conhecer medicamentos utilizados pelo paciente e condições clínicas que possam modificar o risco de sangramento ou outras complicações.
Por esse motivo, mesmo sendo um procedimento ambulatorial em muitos casos, ele deve ter indicação médica adequada.
Procure orientação médica, especialmente, diante de sintomas como:
O médico que realizou o procedimento deve fornecer as orientações específicas sobre o período após a ligadura.
São tratamentos diferentes e não devem ser comparados apenas pela ideia de que um seria “mais simples” e outro “mais agressivo”.
A escolha depende principalmente das características da doença.
Uma hemorroida interna relativamente limitada é uma situação diferente de uma doença hemorroidária avançada, com prolapso importante e componente externo.
Existem ainda diferentes técnicas cirúrgicas e procedimentos para o tratamento das hemorroidas.
Por isso, a pergunta mais adequada não é simplesmente:
“Ligadura ou cirurgia: qual é melhor?”
E sim:
“Qual tratamento é mais apropriado para este tipo de hemorroida neste paciente?”
Também são procedimentos diferentes.
A fotocoagulação utiliza energia infravermelha para produzir uma pequena área controlada de coagulação e cicatrização. A ligadura, por sua vez, utiliza um anel elástico para interromper a irrigação de uma porção do tecido hemorroidário.
Na minha prática clínica, utilizo com frequência a fotocoagulação infravermelha em situações nas quais considero que ela seja adequada. A ligadura elástica não é minha técnica padrão ou preferencial.
Isso não significa afirmar que uma técnica seja universalmente superior à outra.
Significa apenas que a minha escolha terapêutica não parte da ligadura elástica como procedimento padrão. A indicação é feita conforme as características encontradas no exame e a situação de cada paciente.
Esse ponto é importante porque médicos diferentes podem ter experiência e preferência por técnicas diferentes, desde que exista indicação adequada.
Sim. Nenhum procedimento deve ser apresentado como garantia de que uma pessoa nunca mais terá sintomas hemorroidários.
A ligadura trata o tecido selecionado naquele momento, mas a evolução futura depende de diversos fatores.
Além disso, persistência ou retorno dos sintomas pode exigir nova avaliação para confirmar se eles realmente continuam sendo provocados pelas hemorroidas.
Independentemente do procedimento escolhido, cuidar do funcionamento intestinal é parte importante do tratamento da doença hemorroidária.
Dependendo do paciente, podem ser recomendadas medidas para:
Essas medidas não substituem um procedimento quando ele está indicado, mas fazem parte do cuidado global.
A ligadura elástica faz parte das alternativas disponíveis para o tratamento de hemorroidas internas, mas não é o procedimento que adoto rotineiramente como primeira escolha.
Na minha prática, prefiro avaliar inicialmente qual é o tipo de hemorroida, qual o seu grau e qual sintoma realmente precisa ser tratado.
Em determinadas situações posso considerar a ligadura. Em outras, considero mais apropriada a fotocoagulação infravermelha, outro procedimento ambulatorial ou uma técnica cirúrgica.
Portanto, minha conduta não é escolher primeiro a técnica e depois procurar pacientes para ela.
Primeiro vem o diagnóstico e a avaliação do paciente. Depois, a escolha do tratamento.
Conteúdo escrito/revisado por Dr. Gilberto Saute
Médico especialista em Coloproctologia
CRM-RS 7346 | RQE 7088
Última revisão médica: setembro de 2026
Este conteúdo possui finalidade educativa e não substitui consulta, exame físico ou diagnóstico médico individualizado.
As informações desta página foram elaboradas e revisadas com base em literatura médica e recomendações de instituições reconhecidas na área de Coloproctologia:
Ela provoca necrose e desprendimento da porção de tecido que foi ligada, seguida de cicatrização. Isso não significa necessariamente eliminar toda a doença hemorroidária nem impedir sintomas futuros.
Geralmente é classificada como um procedimento ambulatorial para tratamento de hemorroidas internas, diferente da hemorroidectomia convencional.
Não é o tratamento habitual da hemorroida externa. A técnica é destinada ao componente hemorroidário interno.
A experiência varia. Pode haver pressão, desconforto ou dor. Dor intensa após o procedimento precisa ser avaliada.
Em geral, não. O anel se desprende junto com o tecido tratado.
Isso depende dos sintomas, da atividade profissional e das orientações do médico que realizou o procedimento. Não é adequado garantir retorno imediato para todos.
Não existe um único tratamento que seja o melhor para todos os pacientes. A escolha depende do tipo e grau das hemorroidas, sintomas, exame e características individuais.
A ligadura elástica é uma técnica que pode ser considerada em casos selecionados, mas não é o procedimento padrão nem a técnica preferencial do Dr. Gilberto Saute para o tratamento das hemorroidas. A escolha do tratamento é individualizada de acordo com o diagnóstico, o grau da doença e as características de cada paciente.
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