Fissura anal: sintomas, causas e tratamento
DR. GILBERTO SAUTE
CrM-RS 7346
RQE 7088
A fissura anal é uma pequena ferida ou corte que ocorre na pele que reveste a entrada do ânus.
Apesar de geralmente ser uma lesão pequena, pode provocar dor intensa durante ou depois da evacuação, além de ardência e sangramento.
Uma das causas mais frequentes é a passagem de fezes endurecidas ou volumosas, que pode provocar um pequeno trauma na região anal. Episódios de diarreia e outras alterações intestinais também podem estar relacionados ao aparecimento da fissura.
A fissura anal pode ocorrer em pessoas de diferentes idades e muitas vezes é confundida com hemorroidas, porque as duas condições podem provocar dor, desconforto e sangramento anal.
Entretanto, fissura anal e hemorroida são problemas diferentes e podem necessitar de tratamentos diferentes.
Por isso, quando existe dor ou sangramento ao evacuar, é importante identificar corretamente a causa.
Os sintomas podem variar de uma pessoa para outra, mas a dor relacionada à evacuação é uma das manifestações mais características da fissura anal.
A dor costuma aparecer durante a passagem das fezes e pode ser descrita como uma sensação de corte, rasgo, ardência ou queimação.
Em alguns pacientes, a dor não termina imediatamente após evacuar.
Ela pode continuar durante vários minutos ou até por mais tempo depois da evacuação.
A intensidade também varia. Algumas pessoas apresentam apenas desconforto, enquanto outras desenvolvem uma dor suficientemente intensa para começar a evitar a evacuação.
Isso pode criar um ciclo:
dor → medo de evacuar → retenção das fezes → fezes mais endurecidas → maior trauma da fissura
Por isso, melhorar o funcionamento intestinal é uma parte importante do tratamento.
A fissura anal também pode provocar sangramento.
Geralmente é uma pequena quantidade de sangue vermelho vivo, percebida principalmente:
Entretanto, não é possível concluir que um sangramento anal seja causado por fissura apenas pela aparência do sangue.
Hemorroidas e outras doenças do reto e do intestino também podem provocar sangramento.
Sangramentos persistentes, recorrentes ou sem diagnóstico devem ser avaliados por um médico.
Algumas pessoas apresentam ardência ou sensação de queimação na região anal.
Esse desconforto pode ocorrer durante a evacuação e permanecer posteriormente, principalmente quando a fissura ainda está inflamada.
Dependendo da localização e do quadro, a fissura pode ser identificada durante o exame da região anal.
Entretanto, tentar examinar a própria região não é uma maneira segura de estabelecer o diagnóstico.
Outras alterações podem apresentar aparência ou sintomas semelhantes.
A fissura geralmente aparece quando ocorre um trauma na região anal.
Uma situação bastante comum é a passagem de fezes ressecadas ou muito volumosas, principalmente em pessoas que apresentam constipação intestinal e precisam fazer força para evacuar.
Alguns fatores que podem estar associados ao aparecimento ou à manutenção da fissura incluem:
Depois que a fissura aparece, a dor pode provocar contração da musculatura anal e dificultar a cicatrização em alguns pacientes.
Por isso, quando a fissura não melhora, pode ser necessário um tratamento específico além da simples correção do funcionamento intestinal.
As fissuras podem ser classificadas de acordo com seu tempo de evolução e características clínicas.
A fissura aguda é aquela que surgiu recentemente.
Muitas fissuras recentes podem cicatrizar com medidas que facilitem a evacuação, diminuam o trauma local e mantenham as fezes com consistência adequada.
Quando a fissura persiste e não cicatriza adequadamente, pode se tornar crônica.
Nesses casos, podem ocorrer alterações locais associadas à permanência da lesão e o tratamento pode exigir outras medidas.
A diferenciação entre fissura aguda e crônica é importante porque pode modificar a estratégia de tratamento.
Essa é uma dúvida muito frequente.
Tanto a fissura anal quanto as hemorroidas podem provocar sangue vermelho vivo após evacuar. Na fissura, porém, é comum que o sangramento esteja acompanhado de dor durante ou após a evacuação. Saiba mais sobre hemorroida sangrando e quando o sangramento anal precisa ser investigado.
A fissura é uma ferida na região anal.
Já as hemorroidas correspondem à doença dos tecidos e vasos hemorroidários da região do ânus e reto.
| Fissura anal | Hemorroidas |
|---|---|
| Dor ao evacuar é muito característica | A dor depende do tipo de hemorroida |
| Pode provocar sensação de corte ou rasgo | Pode apresentar diferentes sintomas de hemorroida, como sangramento, coceira, inchaço ou prolapso |
| Pode haver sangue vermelho vivo | Também pode haver sangue vermelho vivo |
| Existe uma ferida na região anal | Existem alterações dos tecidos hemorroidários |
Essas diferenças ajudam a compreender as doenças, mas não substituem o diagnóstico médico.
Veja em detalhes como diferenciar hemorroida de fissura anal e quais características podem ajudar a identificar cada condição.
Inclusive, uma pessoa pode apresentar mais de um problema na região anal ao mesmo tempo.
O diagnóstico geralmente é realizado pelo proctologista a partir dos sintomas apresentados e da avaliação da região anal.
Durante a consulta, é importante entender quando a dor começou, sua relação com a evacuação, se existe sangramento e como está o funcionamento do intestino.
Em muitos casos, a inspeção cuidadosa da região permite identificar a fissura.
Quando o paciente apresenta muita dor, o exame deve ser realizado com cuidado.
Nem todos os exames proctológicos precisam ser realizados imediatamente em todos os pacientes.
A necessidade de investigação adicional depende de fatores como os sintomas apresentados, idade, características do sangramento, alterações intestinais e histórico clínico.
Fissuras com características ou localização incomuns, múltiplas fissuras ou lesões que não cicatrizam adequadamente também podem exigir uma investigação mais detalhada para excluir outras doenças.
Sim. Muitas fissuras anais podem cicatrizar adequadamente.
As fissuras recentes frequentemente respondem ao tratamento clínico e às medidas destinadas a diminuir o trauma durante a evacuação.
Quando a fissura se torna crônica, entretanto, o tratamento pode ser mais demorado e algumas pessoas podem necessitar de medicamentos específicos ou procedimentos.
O tratamento depende das características da fissura e de cada paciente.
O tratamento procura favorecer a cicatrização da fissura, diminuir a dor e, principalmente, evitar novos traumas durante a evacuação.
Não existe uma única estratégia adequada para todos os pacientes.
Uma das partes mais importantes do tratamento é evitar fezes excessivamente endurecidas e esforço para evacuar.
Dependendo do caso, algumas medidas podem incluir:
Quando necessário, o médico pode recomendar outras medidas para regularizar a consistência das fezes.
Banhos mornos podem proporcionar relaxamento e alívio temporário do desconforto em algumas pessoas.
Entretanto, isso não significa que o banho de assento, isoladamente, seja capaz de tratar todas as fissuras.
Quando os sintomas persistem, é importante avaliar a causa e o estágio da fissura.
Existem diferentes medicamentos tópicos que podem ser utilizados no tratamento da fissura anal em situações específicas.
Alguns procuram aliviar sintomas, enquanto outros podem atuar sobre a musculatura da região anal e favorecer a cicatrização.
A escolha da pomada depende do diagnóstico e da situação clínica.
Por isso, não é recomendável utilizar repetidamente pomadas para hemorroidas ou outros medicamentos sem saber se o problema realmente é uma fissura.
Dependendo da intensidade da dor e das características da fissura, outros medicamentos também podem fazer parte do tratamento.
A indicação deve ser individualizada.
Nem toda fissura anal precisa ser operada.
Muitas fissuras, principalmente as recentes, podem melhorar com tratamento clínico.
Quando a fissura se torna crônica e não cicatriza adequadamente apesar do tratamento, podem ser consideradas outras opções.
Uma das técnicas cirúrgicas utilizadas em casos selecionados é a esfincterotomia lateral interna, que atua sobre parte da musculatura do esfíncter anal para reduzir a pressão e favorecer a cicatrização.
Entretanto, a indicação cirúrgica precisa ser individualizada.
Como qualquer procedimento, existem benefícios, limitações e possíveis riscos que devem ser considerados pelo médico juntamente com o paciente.
O tempo de cicatrização varia.
Fissuras recentes podem apresentar melhora mais rápida quando o fator que provocou o trauma é corrigido e as fezes permanecem com consistência adequada.
Fissuras crônicas podem necessitar de tratamento mais prolongado.
Mais importante do que estabelecer um número exato de dias é observar a evolução.
Se a dor e o sangramento continuam, voltam repetidamente ou não apresentam melhora, é recomendável procurar avaliação médica.
Pode.
Mesmo depois da cicatrização, uma nova fissura pode aparecer se voltarem os fatores que favorecem trauma da região anal, como constipação, fezes muito endurecidas ou esforço excessivo para evacuar.
Por isso, manter um bom funcionamento intestinal continua sendo importante mesmo depois da melhora dos sintomas.
Dor e sangramento anal não significam necessariamente fissura.
Hemorroidas, abscessos, doenças inflamatórias e outras condições da região anal e intestinal podem apresentar alguns sintomas semelhantes.
O tratamento adequado começa pela identificação da causa.
É recomendável procurar avaliação médica quando houver dor anal intensa ou persistente, sangramento recorrente, dificuldade importante para evacuar ou sintomas que não melhoram.
Também é importante procurar avaliação quando os sintomas são diferentes do habitual ou quando não existe certeza de que se trata realmente de uma fissura.
O objetivo é confirmar o diagnóstico e excluir outras causas de dor ou sangramento.
Conteúdo escrito/revisado por Dr. Gilberto Saute
Médico especialista em Coloproctologia
CRM-RS 7346 | RQE 7088
Última revisão médica: setembro de 2026
Este conteúdo possui finalidade educativa e não substitui consulta, exame físico ou diagnóstico médico individualizado.
As informações desta página foram elaboradas e revisadas com base em literatura médica e recomendações de instituições reconhecidas na área de Coloproctologia:
Sim. Muitas fissuras cicatrizam com tratamento adequado. A estratégia depende principalmente de ser uma fissura recente ou crônica e das características de cada paciente.
Dor durante ou depois da evacuação, especialmente acompanhada de pequeno sangramento vermelho vivo, pode ocorrer na fissura. Entretanto, somente a avaliação adequada permite confirmar o diagnóstico.
Pode sangrar. Geralmente aparece uma pequena quantidade de sangue vermelho vivo, mas outras doenças também podem provocar sangramento anal.
Pode causar dor bastante intensa, principalmente durante e depois da evacuação. A intensidade varia entre os pacientes.
Não. São condições diferentes. A fissura é uma ferida na região anal, enquanto a doença hemorroidária envolve os tecidos hemorroidários. Alguns sintomas podem ser semelhantes.
Algumas fissuras recentes podem cicatrizar quando o trauma local deixa de ocorrer e o funcionamento intestinal melhora. Casos persistentes precisam de avaliação e podem necessitar de tratamento específico.
A escolha depende do diagnóstico e das características da fissura. Existem diferentes medicamentos utilizados em situações específicas, portanto não é adequado escolher uma pomada apenas com base nos sintomas.
Na maioria das vezes, a cirurgia não é a primeira opção. Ela pode ser considerada em determinados casos de fissura crônica que não responderam adequadamente a outras formas de tratamento.
Sim. Uma nova fissura pode surgir, principalmente se houver novamente constipação, fezes endurecidas ou trauma durante a evacuação.
O especialista que diagnostica e trata doenças do ânus, reto e intestino grosso é o coloproctologista/proctologista.
Postagens e artigos sobre proctologia, saúde intestinal, hemorroidas, prevenção do câncer colorretal, colonoscopia e doenças do intestino e da região anal.
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